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Crianças estão mais deprimidas do que nunca e perdidas em um emaranhado de necessidades e desejos preenchidos pela televisão, internet, videogames.

Hoje as crianças são convidadas a ter um desenvolvimento intelectual muito precoce, rápido e elas não tem o desenvolvimento emocional tão rápido assim.

O que se tem é um diferencial muito grande entre o intelecto e o emocional.

Temos hoje crianças e adolescentes superinteligentes, extremamente desenvolvidos, mexendo em celulares, em computadores e, sem resistência alguma à frustração, correndo riscos de em uma primeira frustração se machucar.

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Vivemos uma sociedade que preconiza o ego, o ter em detrimento do ser, e nem observamos que a criança vira objeto de desejo e ostentação em nossa fotografia familiar social…ai ai ai!!!

Família é o nosso lugar. Lugar de afetividade, de cuidado, de limite e de conflito. Lugar de amar, brigar, gritar, reparar, pedir desculpas, beijar, abraçar. Lugar para criar raízes e asas.

Corremos desenfreadamente para obtenção do bem-estar na idade adulta, como uma proposta competitiva , end game… Busca incessante de “telos”*e assim que nos esquecemos de cuidar do que verdadeiramente é importante.

É notório que as famílias ocidentalizadas desejem que seus  filhos tornem-se adultos equilibrados, entendendo isso como normatização. No entanto, se pararmos para pensar sobre o assunto, não será difícil perceber que os nossos defeitos são muito visíveis para eles. E nossos níveis de exigência para com os pequeninos não os definirá como uma especie razoavelmente feliz! Em vez de se ter auto-estima, você se associa a uma auto-estima simbólica. O time, o grupo a empresa. A estima está lá, não em si.

 

Pais e mães e suas agendas repletas de atividades, reduz o contato com os filhos ao minimo. O conceito de familia deturpou-se ao PARECER,  e desconsideramos o SENTIR.As crianças percebem os nossos medos e as nossas inseguranças, e os adotam facilmente. 10440718_777204728993246_6008354591774176681_n

O medo da perda é a metáfora do amor, e consequentemente apego vem sempre com o medo de perder. O simples fato disso , nos ajuda a entender porque brigamos tanto com quem amamos muito.

A família é um conjunto de pessoas que se unem pelo desejo de estar juntas, por uma dinâmica chamada afetividade. E a afetividade é o maior conflito humano, porque envolve o seguinte: eu amo muito o meu filho e é com ele que mais brigo. É preciso suportar esse conflito, compreender esse conflito, porque sabemos que, quando brigamos em casa, isso é sinal de amor, que podemos brigar, gritar e depois reparar, pedir desculpas, beijar, abraçar.

É o conflito que nos mantém vivos.

 

“A infância tem suas próprias maneiras de ver, pensar e sentir, não há nada mais insensato do que pretender substituí-las pelas nossas.”
– Jean-Jacques Rousseau –
Quando um pai ou uma mãe se torna “amiguinho” dos filhos, o pai morre; a mãe morre,( como papel) e esse fato vai gerar a perda da referência sexual, a perda do sentir-se desejado por quem o gerou e a dificuldade de criar auto-estima.
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1 – É importante dedicar um tempo exclusivamente a eles.
Se vc adulto gosta de ser tratado como prioridade, isso conta algo sobre vc : em algum momento vc viveu isso e foi positivo. Você dedica quanto do seu tempo como pai/mãe e trata seu filho como prioridade? Esta com ele olhando para TV, tela do computador, smartphones, livros…
O que se vê é a  terceirizaração da criança.
No primeiro ano de vida, quando a criança é cuidada por diversas pessoas diferentes ela não faz vínculo afetivo com ninguém. Esse prejuízo colheremos mais tarde, na adolescência, como sociedade. Por isso os países mais desenvolvidos fizeram leis rígidas para que as mães fiquem com os filhos. Na Alemanha por exemplo,  já existe uma lei há muitos anos em que a mãe , assim que dá a luz, fica dois anos de licença, ganhando 70% do salário e proibida de trabalhar. Na França a licença é de um ano e seis meses. E aqui no Brasil estamos tentando ver se fica seis meses. Consequência disso?
Muitas dessas mães pararam de ter filhos, para não terem que parar de trabalhar. No Brasil isso está começando a acontecer.
Terceirizamos os filhos :  no final de semana estamos cansados para cuidar deles, então vamos passear com eles no shopping e dar presentes para compensar essa culpa.
Isso não é educação, isso não é cuidado, isso não é prioridade .
Transtornamos a relação mãe e filho, pai e filho. Esse transtorno tem um preço grande aí fora que são os desvios de personalidade, os abusos de álcool e drogas, esquizofrenias que voltaram, as psicoses que voltaram.
2 – Corrigir os erros, mas a partir do afeto
Sem gritos e pacientemente. A criança é uma esponja que vai absorver o bom e o ruim. Faça-a entender que vocês aprendem juntos, que o aprendizado é mútuo.
Os pais, ou melhor, os que querem ser pais precisam buscar informações sobre o que um filho necessita. Assim como fazemos cursos para ser médico, dentista, professor, precisa fazer curso para ser pai. Porque uma criança precisa de muita coisa dos pais, muita coisa mesmo. Hoje mais do que nunca, esse seqüestro que a mídia faz, a virtualização, que é o grande perigo do nosso século, o computador os jogos não substitui a presença dos pais, a afetividade.
Criança precisa brincar. Ter um lápis na mão, areia, natureza.
Estamos vivendo, assim, a era do vazio, como diz  Gilles Lipowetsky, filósofo francês. Charles Mellman, um psicanalista francês, também diz isso. Esvaziamos toda condição afetiva, porque imaginamos que ser afetivo é ser tolo, é sofrer. E é mesmo!!!! Mas é a única condição que nos torna humanos, não tem outra.
3- Promova a autonomia dando responsabilidades
Deixe-os tomar pequenas decisões sobre seus relacionamentos ou hábitos diários. Por exemplo, você pode cozinhar e preparar o almoço, mas eles podem ajudar a secar e a recolher os pratos, arrumar a mesa, escolher a roupa que elas desejam colocar…Diziam os antigos: serviço de criança é pouco quem não aproveita é louco.  Estimule o fazer, o agir, o estar com…
4- Não fazer comparações
Com os irmãos ou com os amigos. Não compare uma criança com ninguém, nem os adultos. Ninguém é melhor ou pior do que ninguém; todos nós somos diferentes. Somos seres em caminho da construção de uma individualidade. O que mais nos torna extraordinários são as nossas diferenças.
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5 – Não crie rótulos como “desajeitado”, “bobo”, “burro”
Quando uma criança faz algo inadequado, há muitas maneiras de dizer isso a ela: que não é certo bater em seus irmãos, que não se deve quebrar brinquedos ou eles param de funcionar… Te ocorre que eles chegaram a esse planeta não muito mais que 5 ou 6 anos…como assim exigir que eles atendam a tantas exigencias?
6- Também não o faça com “esperto” “ótimo” ou “inteligente”
O inverso traz o mesmo dano! A criança não entende o que se passa quando você se refere a algo dessa forma. Neste caso, você deve expressar o quão bem ela fez a lição de casa, que ótimo que ela recolheu os brinquedos, que maravilha é vê-la desenhar e pintar. Ou seja, você deve elogiar o comportamento, não a criança, e assim reforçar a autoestima infantil.
7- Estabeleça limites claros e coerentes com a idade e capacidade11058656_784290754987071_2988216719067784031_n
FIRMEZA COM DOÇURA…
Cumpra pais, o que vcs prometem, inclusive as punições.
Isto é, se você não guardar seus brinquedos, não irá ao parque; a criança vai querer negociar isso, mas não vale a pena tomar meias medidas. Se você colocar uma condição razoável, deve aplicá-la; caso contrário ela não será levada a sério. Seja firme.
Aproveitando, (nunca é demais!), coloco aqui o conceito aplicado em aula, em relação a limites:
Limite é uma relação entre pai\mãe e filho, na qual deve ocorrer a seguinte dinâmica: o pai ou a mãe precisa dar uma ordem ou fazer um pedido ao filho que certamente vai gerar frustração e birra, gritos ou outra ordem de conduta não desejada.
O limite é justamente a forma de fazer o pedido ou dar a ordem, usando aquilo que é a base do vínculo e a base da relação afetiva entre pais e filho, ou seja, o desejo. Então, toda ordem e todo pedido precisam conter o desejo dos pais e nunca a pedagogia que explicaria a origem do pedido ou da ordem.
Por exemplo: “Filho, eu quero que você venha tomar seu banho”.
Ao que o filho, não importa sua idade, vai retrucar: “Por quê?”.
Nesse momento, o pai ou a mãe têm de se lembrar que o filho nasceu de um desejo e não de uma explicação, e deverão responder “porque eu quero que você vá tomar seu banho agora”, em vez de “porque está frio” ou “porque está na hora do jantar” ou “porque você tem de fazer lição” ou qualquer porquê.
O limite é uma associação do pedido com o desejo dos pais ou do cuidador, sem pedagogia. Parece um autoritarismo?
Não, não é; é apenas uma manifestação pura e simples do cuidado dos pais.
Quando isso passa a ser o dia-a-dia de uma família, a criança ou adolescente aprende a negociar, como: “Mãe, posso só terminar de assistir esse desenho?”.
Ao que a mãe cuidadora responde: “Claro que sim, filho!”.

O limite é a doce prisão, onde o filho vai poder enfrentar a frustração, vai poder perceber que pertence à alguém, à raiz. E vai começar a pensar em como criar asas. Criar asas não é fugir de casa, criar asas é ter condições de se cuidar.

O limite não é um ato agressivo. O limite é a imposição, ao filho, do desejo do pai. O limite é cuidadoso, o limite é cuidador. Pegar na mão de uma criança de seis anos e levá-la para o banho ou para almoçar ou dizer a ela que é hora de dormir não é agressivo.

As pessoas confundem limite com raiva, com agressividade. O limite é uma imposição do cuidado do pai e não uma raiva do pai. Quem não sabe dar limite agride e isso leva a sequelas. As pessoas têm medo de dar limite, porque imaginam que estão roubando o prazer do filho. Impedir uma criança de continuar vendo o desenho para que tome banho, jante ou vá para a escola significa cuidar dela. Quer coisa mais difícil que pedir para uma criança escovar os dentes? Nessa hora, temos de pegar e levar. Bater porque não escovou, porque não obedeceu, isso sim traz sequelas.

8- Valorize o esforço, não os resultados
Não foque em excelencia ou aprovação. É importante que a criança tenha sido constante e tenha se esforçado, reforce isto.
11693812_838895629526583_1141262341174106982_n9- Não exagere nos elogios e seja objetivo
Isto é, diga-lhes o que elas fizeram de bom e fale sobre o que você gostou; deixe a criança saber o que lhe agrada. “Você guardou direitinho seus carrinhos e bichos de pelúcia” é substancialmente diferente de “Você arrumou bem”. É importante que comente com os outros, na frente da criança, as conquistas e esforços delas. Isto vai fazer com que elas se sintam úteis e importantes.
10- Valide as emoções delas
Se a criança chora, é provável que ela tenha se machucado. Dê a isto a devida importância. Evite dizer: “Não foi nada! Já já passa!” Se alguma coisa faz ela se sentir mal, é importante que nós possamos dar a relevância adequada. Como assim o choro do seu filho não é nada? Pode não ser para vc, porém para ele é muito importante sentir. Se vc não o estimula a sentir e expressar, não o recrimine mais tarde por sua indiferença, banalização, coisificação em relação a vc e ao mundo.
Quando a mãe suporta sua própria vontade de dar uns gritos e consegue simplesmente ouvir aquela lamúria incômoda, aquele choro chato e agoniante, sem criticar, repreender, reprimir ou tentar encerrar a sessão de desconforto, está efetivamente trabalhando para que as crianças cresçam como pessoas capazes de refletir e consolidar opiniões razoáveis, de forma mais realista e ponderada. E está também forjando suas ferramentas para enfrentar a intolerância e o extremismo que vão encontrar por aí, no bate-boca ideológico-eleitoral, no bullying, na xenofobia e nas manifestações de preconceito, nas cenas tétricas do marketing do terror.
11- Não as superproteja, isso irá gerar insegurança e dependência11825713_993572004006942_920582859762371936_n
Não os guarde e vigie-os o tempo todo, porque assim você irá criar seus filhos dentro de uma bolha.
As crianças não são feitas de cristal e precisam de uma dinâmica que irá gerar oportunidades para se desenvolverem de uma forma constante.
O filho é o sujeito que tem de ir aos poucos se libertando dos pais, mas não das raízes.
Sempre temos de ter para onde voltar e sempre voltamos para o lugar afetivo.
O pimpolho precisa crer com todas as forças que essa nova vida, fora do barrigão confortável, o acolhe plenamente. Se não acreditar nisso, pensará que o mundo lhe é pessoalmente hostil, uma sensação literalmente enlouquecedora. Na sua forma primitiva de raciocinar, as ferinhas começam assim, absolutistas, intransigentes, impacientes, imaginando que suas vontades são ou deveriam ser automaticamente atendidas.
Sua majestade tem de ir aos poucos caindo na real, aceitando que a demora no atendimento a algumas necessidades é contingência dessa vida imperfeita, e não uma agressão pessoal. Isso se aprende vivendo, experimentando, passando pelo desconforto da espera, pela chegada do leite na hora de mamar, pela saciedade que vem depois… Cada etapa é indispensável para esse aprendizado, que se estende pela infância e pela adolescência.
11760078_842970532452426_2250042193966540395_n12- Reserve um momento para cada um dos seus filhos
Tente reservar um momento individual para cada um, pois o fato de ser importante e protagonista durante alguns minutos, ou algumas horas, é muito importante para os pequenos. Isso é a chave para mostrar a eles o quanto você se importa, e estes momentos podem gerar trocas inovadoras entre vocês ao longo do tempo, reforçando assim a a autoestima infantil. Quem quis mais que um foi vc, ele só terá a vida inteira UMA mãe, e UM pai!
Gostaria de deixar uma última mensagem aos pais ou cuidadores que chegaram até aqui na leitura: Que pensem muito, porque os filhos/ essas crianças precisam muito deles. Separados ou não, com outras famílias ou não.
Outra coisa:  a raiva, que surge, quando o pai ou a mãe, ou cuidador dizem não para um filho, ela é sempre filha do medo. Por gentileza, gente grande… nunca levem em conta o que um filho diz quando está com raiva.  Nunca é verdade o que sai da boca de um filho quando ele está com raiva.
A raiva é um sentimento oriundo do medo. Adultos de plantão : suportem um pouco isso.
Quem tiver que dizer não para um filho de três, treze ou trinta anos que diga e suporte a raiva que vem disso. Essa raiva é benigna em muitos sentidos. Quando um indivíduo começa a suportar a frustração, ele escapa dessa maldição que a gente vive hoje, que é ficar seqüestrado pelas coisas de fora. É única esperança que temos de reconstruir algumas coisas.
Se você quer dar uma mãozinha pro mundo, comece logo!

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Para quem quiser mais informação!!!!!! rsrsrsrs

Seis títulos fantásticos, incríveis, que eu recomendo profundamente.

São eles:

A criança terceirizada (José Martins Filho);

O passarinho engaiolado (Rubem Alves – infantil);

Cuidado, afeto e limites (Ivan Capelatto e José Martins Filho);

Escola sem sala de aula (Gilberto Dimenstein, Ricardo Semler e Antonio Carlos Gomes da Costa);

Ética para meus pais (Yves de La Taille)

Quem cuidará das crianças? (José Martins Filho).

Clicando em cada um dos títulos, você irá direto para sua descrição e link de compra.

beijinho

amo vcs

Rita

*Para Aristóteles, cada coisa tinha em si mesma um telos, um objetivo, e o motor primeiro também teria um objetivo: a perfeição. No mundo humano o mesmo ocorreria, haveria um certo acordo verbal de modo que o comportamento humano teria como finalidade a felicidade, o bem-estar (eudaimonia).

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