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Para orientar nossa existência, é preciso saber discernir.

Para saber discernir, temos de aprender a ver as coisas tais como são.

Para ver as coisas tais como são, é preciso cessar de projetar nossos estados mentais no mundo.

Para cessar de projetar, devemos nos conhecer.

Para nos conhecer, precisamos ser nosso próprio amigo, ficar do seu lado.

Para ser nosso próprio amigo, esforcemo-nos para acolher com carinho , amorosidade, todos os pensamentos.

Para aceitar todos os pensamentos, paremos de distinguir entre os bons e os maus.

Se quisermos sinceramente cessar de distinguir entre os bons e maus pensamentos, temos de meditar com constância e disciplina.

Para meditar, é preciso distinguir, sem julgar, entre a plena consciência do instante e a fuga nos pensamentos.

Nesse estágio, o problema de se orientar na vida não mais se apresenta.

Moramos desde sempre no coração da existência. miséria do homem…

Jamais nos atemos ao tempo presente. Antecipamos o futuro, algo demasiado lento por vir, como para acelerar seu-curso; ou nos lembramos do passado, a fim de detê-lo tão rápido nos parece. De tão imprudentes vagamos nos tempos que não são nossos e deixamos de pensar no único que nos pertence. E de tão vãos, pensamos nos tempos que nada são e escapamos, sem refletir, do único que subsiste.

É que o presente, de costume, nos fere.

Ocultamo-lo da visão porque nos aflige; e se nos é agradável, lamentamos vê-lo escapar.

Esforçamo-nos para sustentá-lo através do futuro, e projetamos coisas que não estão em nosso poder num tempo que não sabemos se irá chegar. Se cada um. examinar seus pensamentos, irá encontrá-los todos ocupados no passado ou no futuro.

Quase nunca pensamos no presente; e se nele pensamos é só para extrair-lhe a luz e dispor do futuro.

O presente jamais é nosso fim: passado e presente são nossos meios; só o futuro é nosso fim. Assim, nunca vivemos,mas sim esperamos viver. E nos dispondo sempre a ser felizes, acabamos por nunca sê-lo.

Pascal

O medo nos intima a fugir de determinado objeto ou situação. Mas é sempre da sensação, da própria experiência que queremos fugir.

Encarar, sentir, estar presente consigo mesmo são umas das tantas vitórias sobre o medo. Se aceitássemos (nos) sentir, não deixaríamos as coisas chegarem até onde chegaram. Menos pesar haveria em nossas vidas e, em conseqüência, no mundo. Não deixe sua atenção se desviar do todo. Vigie sua evolução global. Não perca de vista a totalidade. Conserve a presença de espírito.

Enfrente toda a realidade.

A nobreza na atitude, o “porto”, está na sincronia entre o corpo e o Espírito. Fisicamente presente, o nobre habita seu corpo. Põe o peso da presença em cada um de seus gestos.

A tática infalível do adversário é fazer com que você fique ausente de si, nem que por um segundo.

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Quando o Espírito abandona o corpo, você se perde. Corta-se o canal de comunicação entre as tropas e o Estado-maior. Eis o pânico. A raiz da covardia está na fuga do corpo, na evasiva diante da situação.

O Espírito do verdadeiro guerreiro sempre acompanha o seu corpo. Está ali, alerta, presente, calmo, vigilante. A vilania está na distração, na desatenção consigo e com os outros. Um ser se rebaixa quando o corpo não lhe pertence, quando seu Espírito o deserta.

A coragem reside na determinação de enfrentar, assumir sua presença aqui e agora, não deixar o Espírito se evadir. Nas artes marciais, perder,  significa romper, nem que por um só segundo, a harmonia do Espírito e do corpo. Fracassamos porque em vez de observar e desafiar o que está diante de nós, ausentamo-nos em cálculos, planos e projetos.

O medo é uma vontade de fuga, um irrefreável desejo de não estar presente.

O covarde não habita seu corpo. O adversário quer “deixá-lo com medo”, dissociar seu corpo de seu Espírito.

O que significa “estar presente”?

Habitar o próprio corpo e cuidar do Espírito.

Estar presente é a um só tempo a mais simples e a mais difícil das disciplinas.

Por que tão difícil?

Porque se estou presente, presente de verdade, sem fugir, fico vulnerável. Fugimos do instante presente porque o tememos. Mas é exatamente o medo que o torna insuportável. Você é o instante e nada mais. Seja feliz por um instante. Esse instante é sua vida.

A raiz de todos os sofrimentos está na incapacidade de viver no presente, a cada segundo, e de nos maravilharmos com o fato de respirar, sentir, pensar, de nos relacionarmos com outros seres sensíveis.

Estar presente implica uma adesão integral às sensações e à experiência. Para isso seria necessário que os pensamentos parassem de ocupar nosso Espírito ou, ao menos, que víssemos um pouco de través. O Espírito presente, como uma membrana muito fina, maleável e transparente, adere a todos os detalhes de seu campo visual, auditivo, olfativo, proprioceptivo e afetivo sem jamais se perder ou se desdobrar no pensamento que o faz descolar de seus sentimentos; sem se ausentar do fluxo de experiência, sem interpretá-lo ou conceitualizá-lo. Estar presente é tornar-se o próprio fluxo de experiência. Deixando de me ausentar nos pensamentos, sinto minha própria presença envolver a presença de tudo o que constitui meu mundo. A partir do próprio movimento de retornar ao presente, torno-me sensível a mim e ao mundo, isto é, ao próprio instante.

Que sua alma esteja presente na dança cósmica, nas outras almas, em si mesma. Tudo é uma coisa só. Nenhum bem é superior à alegria de existir aqui e agora. Não há bem preferível à felicidade da pessoa que está diante de nós, aqui e agora. O Bem não é a fonte da alegria, ele é a Alegria. O Bem está na frágil, evanescente, qualidade do instante.

Você é a favor da alegria, da felicidade? É a favor do amor, da paz?

Una sua vida a suas idéias e suas idéias a sua vida, concretamente, em cada segundo, agora, não rejeite o momento. Pois a única coisa que conta é esta vida daqui. Só a vida imediata é real. Seja o amor, seja a paz, seja a alegria. Agora. Todo o resto é hipocrisia. O despertar supõe uma libertação de todos os conceitos e categorizações que reificam e aprisionam a existência.

Todo ser que possui uma experiência direta do que quer que seja, e precisamente porque a possui, está alerta.

Uma pessoa inventiva ou criativa desprendeu-se forçosamente dos preconceitos instituídos, seja no domínio da ciência, da arte, da cozinha, do amor ou de qualquer outro setor da existência.

Ir além do instituído, do habitual, do mecânico,para poder criar ou interpretar livremente é sempre uma forma par-cial de despertar.

Parcial?

Sim, porque ainda assim não atingimos o cerne do despertar que é a arte de ser humano.

Uma personalidade comum eqüivale a uma certa distribuição irregular e específica de seus momentos de presença, uma especialização ou uma filtragem singular de seu potencial de existência.

O ser alerta, por sua vez, existe aqui, agora e em todas as direções, sem especialização nem filtragem.

As pessoas aprisionadas pelo ego,encerradas em seus conceitos, limitadas por seus apegos não têm nenhuma idéia da qualidade e do poder da presença desperta, embora a base de seu ser seja precisamente essa presença arrebatadora. Não quero apenas estar presente, mas “PRESENTE”. A palavra deve ser gritada com força, bem alto, para marcar a intensidade da presença possível. Proteja seu Espírito dos venenos. Viva em plena consciência. Seja feliz. Quando o veneno chegar, abandone-se e se volte para a canção dos sentidos. Vigie o Espírito: é ali que se decide a qualidade do instante.

Kant diz que é preciso considerar cada ser humano como um fim e jamais como um meio.

Usar o homem é o maior sinal de imoralidade.

Eu diria (e é exatamente a mesma idéia, mas em escala molecular)que cada instante deve ser considerado como um fim em si mesmo e jamais como um meio.

O instante é o ser humano. O momento, por exemplo, em que descascamos uma laranja é um fim em si e não um tempo morto que temos de despender para comer a laranja.

O círculo vicioso da desventura se nutre da relação entre os fins e os meios.

A simplicidade da alegria está no fato de cada segundo de experiência ser um fim.

Nunca há um mal por um bem.

A distinção entre o fim e os meios já é o próprio mal.

Na verdade, nenhum instante de nossa vida serve para alguma coisa, nenhum instante está a serviço do futuro.

O mais importante não serve para nada.

Prestar atenção à cor do céu, amar, meditar… Todos os cálculos são maus cálculos. O prazer calcula e compara. A alegria funde o aqui e o agora.

Você pode juntar muito dinheiro, mas o amor ou arde dentro do peito ou se apaga.

Para que acumular ou entesourar o que não serve para nada?

Possuir?

Querer possuir? Mas, o que quer que aconteça, só possuímos o segundo presente!

Desfrute da simples respiração. Aprecie opresente maravilhoso da visão, o dom da audição, a afluência dos odores, a presença misteriosa dos seres. Mergulhe na poesia do mundo tal como ele se oferece continuamente.

Neste exato segundo em que lhe falo, qual a sua atitude em relação ao dom extraordinário da vida humana?

Deus nos dá tudo, absolutamente tudo, a cada segundo. Ele nos dá o dom do instante, porque só há o instante.

O certo é que não possuímos nada.

Tudo, porém, nos é oferecido a todo momento.

E inútil apegar-se ao que quer que seja, uma vez que a existência está sempre disponível.

Ao nos apegarmos a um objeto ou a uma qualidade particular da experiência, fugimos de todo o resto.

Há duas figuras do presente. Uma é infeliz, pois tudo escapa a sua apreensão, à sua vontade de reter. A outra se estabelece numa alegria eterna e incondicional.

O presente feliz nada tem a reter pois tudo lhe é e será oferecido sem contrapartida.

A beleza lhe foi dada gratuitamente e você a recebe gratuitamente. Fora do cálculo perpétuo. A superabundância do que lhe foi dado a cada segundo é entorpecente. Nada lhe falta. Isso implica superar a negligência, a preguiça, a ignorância, a desordem e a confusão. Podemos desenvolver a beleza, a destreza e a precisão em todos os aspectos de nossa vida: a cozinha, o vestuário,a decoração, a linguagem, o trabalho e as relações com os outros.

Tudo o que fazemos deve ser bem feito.

Quanto ao resultado de nossos atos, este não nos pertence.

Busque o estado que a Psicologia Positiva chama de FLOW.

FLOW: -ESTADO MENTAL que você acessa quando esta engajado e envolvido em uma atividade prazerosa, se percebe envolvido 100% concentrado naquilo, nem percebe a hora passar

Vá para o trabalho como se estivesse indo para seu primeiro encontro.

Trabalhe como se estivesse fazendo amor (e não o inverso).

Lave a louça como se estivesse contemplando as cataratas do Niágara.

Faça as compras como se fosse um Rei Mago em dia de Natal.

Descasque os legumes como se estivesse esculpindo Davi.

Troque seu bebê como se estivesse realizando o primeiro transplante cardíaco.

Preencha a declaração de imposto de renda como se estivesse compondo um poema .

Recolha o lixo como se estivesse degustando um belo vinho.

Ou não…

beijinho

Rita

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