conhece-te

“Conhece-te a ti mesmo”

É incrível como uma proposta feita há mais de dois mil anos pode ser tão atual. Mas só poderemos usá-la de maneira adequada como um importante e moderno instrumento gerencial se a seguirmos ao pé da letra.

É libertador sabermos que rejeição e desamor não são nem sequer parentes, e em meu consultório vejo o quanto isso melhora o relacionamento entre pais e filhos quando os primeiros descobrem essa diferença. Isto porque dá a eles o poder de, aumentando o autoconhecimento, melhorar o relacionamento saudável com os filhos. Na verdade, não rejeitamos o outro; nos rejeitamos no outro. Mas, à medida que aumenta o poder, aumenta paralelamente a responsabilidade. Quem deve mudar somos nós, não o outro, porque o rejeitamos por um problema nosso, não dele.

Esse mecanismo ocorre em todos os relacionamentos humanos. No terapêutico ele é constante e, por isso, deve ser sempre analisado. Por exemplo: se tenho uma emoção reprimida em mim e meu paciente vive essa emoção que reprimo, vou rejeitá-lo, vou agredi-lo verbalmente ou sendo hostil. Meu feedback não será um depoimento sobre o comportamento dele, e sim um  julgamento emocional, ou seja, vou condenar nele o que condeno em mim.

O mesmo se dá nos relacionamentos profissionais. A condição básica, portanto, para ser amigo e dar feedback sobre a performance do outro, sem qualquer julgamento ou envolvimento emocional, é não haver repressões inconscientes. Só é possível aceitar o outro se eu me aceitar, e só posso me aceitar se me conhecer. Daí a atualidade do preceito socrático: “conhece-te a ti mesmo”.

beijinho

Rita

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