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Estamos quase no final do módulo 2 do curso “Corpo Mente e Mundo 2011” e isso quer dizer que de uma forma abrangente no estudo da consciência humana e nos seus processos criativos,estamos conseguindo capturar o indicativo esboço do que somos e almejando trilhar uma rota que nos dê vontade de sentido pela vida.

Como estamos estudando as obsessões , claro que caímos no ser dicotômico e mazdeísta do bem contra o mal.É da cultura espirita esse olhar para a obsessão, Porém não o nosso!

Segundo Kardec em Livros dos Espiritos questão 630 — O bem é tudo o que está de acordo com a lei de Deus, e o mal é tudo o que dela se afasta-  o ser em si não é um nem outro, para os Espíritos sábios que nos trouxeram sua doutrina, o mal em nós é uma questão de não-localidade, referencia espaço-tempo em nossas consciencias.

Gosto muito  de outra questão nesse mesmo capitulo de estudo do Livro dos Espiritos (636)em que Kardec pergunta sobre a relatividade do bem e do mal no homem,cuja resposta os Espíritos colocam que “A lei de Deus é a mesma para todos; mas o mal depende, sobretudo, da vontade que se tenha de fazê-lo. O bem é sempre bem e o mal sempre mal, qualquer que seja a posição do homem; a diferença está no grau de responsabilidade.”

Tal questão nos remeteria a anos de aprofundamento de entendimento, e nisso se resumiria toda construção da subjetividade humana, mais além, resumiria o processo de entendimento dos diferentes níveis de consciencia.

O bem que se faz, a si faz, na mesma proporção o mal! Natural!!!!

As circunstâncias dão ao bem e ao mal uma gravidade relativa. O homem comete, freqüentemente, faltas que, sendo embora decorrentes da posição em que a sociedade o colocou, não são menos repreensíveis; mas a responsabilidade está na razão dos meios que ele tiver para compreender o bem e o mal. É assim que o homem esclarecido que comete uma simples injustiça é mais culpável aos olhos de Deus que o selvagem que se entrega aos instintos. (comentário de Kardec, LE).

Coloque aqui o entendimento metafórico de “aos olhos de Deus” como leitura , aos olhos das Leis Naturais.

O psiquiatra e humanista húngaro L. Szondi passou a vida tentando saber o que impedia a liberdade interior do Homem. Ele descobriu que as figuras dos antepassados permanecem vivas no inconsciente do indivíduo, forçando-o a repetir seus comportamentos e impedindo-o de escolher sua própria vida.

Portanto  de uma forma szondiana, remetendo ao psiquiatra e humanista hungaro Leopold Szondi,olhar para o mal como referencia da construção de um psiquismo que tem o poder de transcender ou repetir-se é valida nessa fase de nosso estudo.

“A quem duvida, aconselhamos o estudo da história universal. O historiador não oculta que a essência da história é a luta. Não oculta que a história não é a realização de um contínuo processo desde baixo até o alto, do mau ao bom, da escravidão à liberdade. Sua opinião é que a história é, antes, uma linha tortuosa de crueldades. A história registra quando um povo crucifica ou queima profetas e santos, tribunos e missionários. Ao cabo de milhares e milhares de anos, não diminui a atividade assassina de Caim. O fratricídio é infinito.”

Olhar através da ótica de Szondi é ir de encontro a construção de nosso ser consciencial, sem deixarmos de conceber o Complexo de Caim que habita a cada um de nós.

Observando que o ódio ao pai acompanhado de paixão pela mãe é característico apenas de certas culturas, enquanto o ódio entre semelhantes, o desejo de matar os irmãos, é universal, Szondi afirma que o Complexo de Caim, tal como está descrito no mito bíblico, é um fenômeno mais profundo e abrangente do que o Complexo de Édipo descrito por Freud segundo a mitologia grega.

Mas Caim não é apenas o impulso assassino, é também o desejo de auto-afirmação, o desejo de poder, de ter e de ser. Por isso, pode transformar-se numa forma civilizadora, transmutando-se em Complexo de Moisés: o Homem violento e passional a serviço da justiça divina.Percebe-se assim que o processo consciencial se faz pela similaridade, nunca promovendo-se sobrenaturalmente, de forma mágica e incontida, respeitando assim as leis naturais.

Na tradição judaica, concede-se muita importância ao fato de que na narrativa bíblica foram os descendentes de Caim (e não os de Abel) os fundadores de cidades, os civilizadores do mundo antigo, como se o arrependimento conduzisse esses homens, hereditariamente violentos, a canalizar sua imensa energia para finalidades construtivas. Por isso o “sinal de Caim”, a marca na testa que segundo a tradição lendária assinala a descendência do irmão assassino, tanto pode ser interpretada como indício de que se trata de um Homem violento, quanto como garantia de que esse Homem decidiu interromper a seqüência de iniqüidades de seus antepassados e dedicar-se doravante ao bem, à cultura, às leis, à humanização. Bem melhor olhar assim , numa escala de progressão ascendente  conciencial.

Szondi, que foi professor da Escola Superior de Psicopedagogia de Budapeste até que a invasão nazista o obrigasse a fugir para a Suíça (morreu em 1986), passou a vida tentando responder a uma das questões mais dramáticas já formuladas a respeito da condição humana: por que as pessoas quase nunca conseguem agir da maneira que conscientemente desejam, e acabam fazendo outras coisas, que não tencionavam e que até procuravam evitar? Existe alguma força oculta mais poderosa do que a vontade? Existe algo assim como um destino? Será que o Homem nunca pode ser livre?

Se o Homem, diz Szondi, recebe pronta uma determinada estrutura instintiva básica, com todas as suas exigências e conflitos, nem por isso está fixada de uma vez para sempre a sua maneira, a sua fórmula pessoal de expressá-la. Esta será determinada, em parte, pelo ambiente social e cultural (também herdado dos antepassados) e em parte pelas escolhas conscientes do próprio indivíduo. Conforme o maior predomínio de uma ou de outra dessas ordens de fatores, haverá nos termos de Szondi, um destino compulsivo ou um destino de livre escolha. O caminho da compulsão à liberdade é o destino da vida humana. Numa das pontas do caminho, está a doença, a neurose ou psicose, que é a vitória absoluta das pretensões inconscientes dos antepassados sobre a consciência. Na outra ponta, a vitória da consciência.

O ego, diz Szondi, é a instância que, amparada pela mente consciente, governa as nossas escolhas. Ele opta, a cada instante, entre a repetição mecânica do destino compulsivo e a expressão deliberada, consciente, fundada em valores universais, e humanizada enfim.

Incrivelmente interessante fazer um paralelo entre Kardec e Szondi e não nos faltará oportunidade de estudarmos juntos esse asunto.

No ritual de passagem  de nosso despertar consciencial que  Kardec nos conclama realizar através da razão,  esse trabalho já não pode ser feito mediante práticas rituais que as pessoas julgariam entre bárbaras e cômicas. Tem de ser feito por meios científicos. O rito de purificação dos instintos para a libertação do Homem. E, nesse rito, autoconhecimento é a palavra chave. Natural!

Claro que continuaremos a estudar juntos esse tema, e para tanto estaremos mantendo nossos encontros semanais.

até lá

Rita


 

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