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21819739_4_thumb5Hermann Hesse

Nobel de Literatura, Hermann Hesse é um dos mais importantes escritores alemães do século 20 e sua obra provoca uma espécie de culto místico. O autor do romance “O Lobo da Estepe” quis mudar-se para o Brasil e, depressivo, foi paciente de J. B. Lang e de C. G. Jung

Quem aprecia , não necessita de muitas considerações, porém existe um publico que precisa de apresentações.

O relato confessional de um sujeito que, sendo alemão, naturalizou-se suíço, e,  filho de mãe indiana missionária protestante, rompeu com a família porque não queria se tornar pastor e foi colocar as filosofias orientais em toda a sua obra.

Esta obra foi publicada postumamente. A Infância do Mago traz um narrador projetado numa fantasia de Hesse quando criança(1877-1962), que sonhava ser mágico e se deslumbrava com uma estátua de Shiva Nataraja que havia em sua residência. Fonte inesgotável de mistérios, a biblioteca do avô, orientalista, surge como mundo-vasto-mundo tentador, ao passo que os armários da mãe, abastecidos com sedas da Ásia, sinalizava que o carinho estaria em terras distantes.

A essência do conto gira justamente em torno dessa idéia: a agonia de se tornar adulto, desprender-se das fantasias da infância, ser forçado a aceitar uma realidade com a qual não se concorda. 

Este livro traz tantos questionamentos a respeito do “adultecimento”, que até agora estou me questionando, em que momento perdi meus superpoderes da infância?

Se tomarmos a história como autobiográfica, por mais que o narrador tenha crescido e não tenha se tornado um mágico, Hermann Hesse se tornou: foi competente o bastante para nos encantar com seu talento , escrevendo fábulas, contos, romances .

Trechos do livro para apreciação:

“Por muito tempo vivi no paraíso, ainda que meus pais tenham me apresentado bem cedo à serpente.”hermann-hesse1_thumb1

“Pais e professores não foram os únicos a me criar: tive outros mestres também, poderes mais altos, secretos e misteriosos (…)” (p. 17)

“Mas o que eu queria mesmo era ser mágico. Era esse meu pendor mais profundo e íntimo, fruto de uma certa frustração com o que chamavam ‘realidade’ e que às vezes me parecia ser apenas uma tola convenção dos adultos (…)” (pg. 18-19)

Eu entendo bem o ele quis dizer aqui:  Não é que seja chato ser adulto – é que não nos deixam ser crianças quando crescemos.Vocês concordam?

“Outra vez, meu pai ralhou comigo por uma estrepolia qualquer. Eu mal e mal me expliquei, novamente sofrendo com a dificuldade de fazer um adulto entender as coisas.” (p. 30)

“Tinha especial admiração pela arte de se tornar invisível e queria muito dominá-la.” (p. 19)

“Meu pai não conversava com a minha mãe em línguas da Índia, mas em inglês e num alemão puro, claro, de leve colorido báltico. Foi com essa língua que ele me atraiu, conquistou e educou; eu procurava imitá-lo, sôfrego e cheio de admiração, sôfrego demais, talvez, pois sabia que minhas raízes estavam em solo materno, em seus olhos escuros e em seu mistério. Minha mãe era toda música, mas meu pai não sabia cantar.” (p. 26)

 

BOA LEITURA

 

 

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