Nós temos o hábito de criticar mais ou de elogiar mais?

Criticar é muito fácil e não custa nada. Elogiar exige, no mínimo, observação, autoconfiança e o desejo verdadeiro de contribuir para o crescimento da pessoa.

Como escreveu Dale Carnegie em seu bestseller Como fazer amigos e influenciar pessoas, mais atual do que nunca após sessenta anos: “a crítica é fútil, porque coloca um homem na defensiva, e, comumente, faz com que ele se esforce para justificar-se. A crítica é perigosa, porque fere o precioso orgulho do indivíduo, alcança o seu senso de importância e gera o ressentimento”.

 

Até poucas décadas, havia uma certa forma padronizada e menos instável de ver o mundo. Todos deviam pensar mais ou menos o mesmo, não havia uma massa crítica considerável. Por muito tempo, a crítica e os questionamentos ficaram a cargo de artistas e intelectuais, por sinal os mais atacados pela angústia e a melancolia. Ao homem comum cabia seguir as regras, que eram bem claras, dedicar-se ao seu trabalho e a cumprir seu papel familiar e social. As relações eram mais duradouras e estáveis, de forma que pouco se alterava o status de cada um, se não havia muitas perspectivas, tampouco eram grandes os riscos de alguém deixar de ser o que era ou fazer o que sempre fizera. Hoje vivemos situações bem diversas, a natureza de nossas relações tende mais a instabilidade e qualquer um pode expressar suas idéias e insatisfações. Inclusive o seu chefe, que não vai pensar duas vezes em despedi-lo se houver alguém melhor para ocupar o seu lugar ou isso trouxer vantagem econômica para a empresa. Troca-se um funcionário antigo por três jovens vigorosos, com o mesmo custo financeiro.

O desamparo é característico da condição humana. A consciência da própria mortalidade parece ser exclusividade nossa, nenhuma outra espécie precisa conviver com a dor de saber-se um ser mortal. Como diz Pondé o ser humano é o único que tem a consciencia entre os outros animais de carregar sua propria carcaça nas costas. Ser humano, já parece trazer em si o estigma da angústia. Conhecemos parte do mundo, temos uma consciência parcial, que nos trouxe talvez mais dúvidas do que proteção, somos seres em eterna indagação. E, ainda quando tentamos construir certezas, elas não costumam durar muito. Nosso ritmo como descobridores, inventores e investigadores deste universo que nos rodeia, acelerou-se sensivelmente. Acabamos de sair de um século agitado, marcado pelo grande avanço científico e tecnológico e uma enorme revolução nos costumes.

As relações tornaram-se mais impessoais em quaisquer aspectos da vida. Também nas relações amorosas a incerteza se instalou, somos mais livres para acabar com uma relação insatisfatória, ótimo! Mas também é mais fácil que se rompam laços importantes sem maiores considerações. Neste assunto, tampouco é difícil que outra pessoa passe a ocupar o seu lugar, o que antes seria absolutamente condenável.- Talvez a maior conseqüência das mudanças seja que viramos todos grandes competidores. Se há em nós algo que se incline naturalmente nessa direção, também parece haver um exagero desta postura na atualidade. Ninguém pode manter-se nessa posição por muito tempo porque ela é tensa, um competidor precisa estar sempre em estado de alerta, pronto a revidar qualquer ataque e defender a melhor posição, com produção de adrenalina total. Tempo integral de vigília, logo incompatível com nosso equilíbrio orgânico e psíquico. Talvez os nossos ancestrais, nas cavernas, vivessem assim. Mas, não foi pra dar um refresco que fundamos a nossa civilização? Correr das feras era dureza, e viver no Brasil de hoje, para grande parte  da população, não é mais fácil. É tenso, instável e exige atenção redobrada.

Todas essas mudanças nas nossas relações com o mundo nos põe em constante questionamento sobre quem somos e como viveremos amanhã, é um estado de coisas realmente propício a ansiedade pois fomos programados para receber uma certa quantidade de estímulos e não podemos suportar mais do que isso.

Não importa quanto a sociedade seja exigente e até onde vá seu delírio sobre super profissionais, super machos ou fêmeas. Esse ideal fantasioso que extrapola todos os nossos limites físicos e mentais é  uma insanidade coletiva.
Qualquer um precisa sentir-se razoavelmente seguro em suas relações com o mundo que o cerca para sobreviver e manter-se saudável.

Estejam conosco essa noite para debatermos esses aspectos de nossa condição humana em tempos de busca de sentido

até mais tarde

Rita

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