MEMES

 

 

Ninguém é por si mesmo para a totalidade da sua necessidade.  (Hegel)


Sem a memética você não pode responder a perguntas como “Por que eu não consigo tirar esse pensamento da minha mente? Por que eu decidi escrever esse artigo e não esse outro? Quem sou eu?”


O problema não está nos que falam, e sim nos que escutam.


Nessa próxima aula iremos expor as bases de trabalho para a teoria da memética e ver até onde nós podemos ir.  Devo esboçar as linhas gerais da história e origem da idéia, explorar como ela foi usada, abusada e ignorada, e como ela proveu uma nova forma de encarar o poder das religiões e dos cultos. Estaremos tomando o ponto de vista dos memes e usar isso para responder cinco perguntas previamente não respondidas sobre a natureza humana.


Por que não conseguimos parar de pensar? Por que nós falamos tanto? Por que nós somos gentis com os outros? Por que nossos cérebros são tão grandes? E, finalmente, o que é um eu?



Leiam abaixo um trecho da apostila. Anotem suas dúvidas e levem a aula.

No post “Na próxima aula – parte2” os livros a serem abordados.



“Os memes podem ser idéias ou partes de idéias, línguas, sons, desenhos, capacidades, valores estéticos e morais, ou qualquer outra coisa que possa ser aprendida facilmente e transmitida enquanto unidade autónoma. Então aprender por tentativa e erro ou por feedback não é memético, nem o são todas as formas de comunicação. Apenas quando a idéia, o comportamento ou a habilidade é passado adiante por imitação é que conta como um meme. O estudo dos modelos evolutivos da transferência de informação é conhecido como memética.


Richard Dawkins  sugeriu que toda a vida em todo lugar no universo deve evoluir pela sobrevivência diferencial de entidades auto-replicadoras ligeiramente imprecisas; ele os chamou de “replicadores”. Além disso, esses replicadores automaticamente se juntam em grupos para criar sistemas, ou máquinas, que os carregam por aí e trabalham em favor de sua replicação continuada. Essas máquinas de sobrevivência, ou “veículos” são nossos corpos familiares  e os dos gatos  e do repolho – criados para carregar e proteger os genes dentro deles.


Se Dawkins está  certo então tudo que você aprendeu por imitação de alguém é um meme. Isso inclui todas as palavras no seu vocabulário, as estórias que você conhece, as habilidades e hábitos que você tomou de outras pessoas e os jogos que você gosta de jogar. Isso inclui as canções que você canta e as regras que você obedece. Então, por exemplo, se você dirige na direita (e eu na esquerda!), come um hamburguer ou uma pizza, assobia “Parabéns Pra Você” ou “Mamãe Eu Quero” ou até mesmo aperta mãos, você está tratando com memes.


Existe uma enorme variedade nos comportamentos que os humanos produzem, esses comportamentos são copiados, mais ou menos precisamente por outros seres humanos, e nem todas as cópias sobrevivem. O meme portanto se encaixa perfeitamente com o esquema de hereditariedade, variação e seleção. Pense em melodias, por exemplo. Milhões de variantes são cantadas por milhões de pessoas. Apenas algumas são passadas adiante e repetidas e até mesmo algumas chegam até as paradas pop ou às coleções de clássicos. Os ensaios científicos proliferam, mas apenas alguns poucos chegam às longas listagens nos índices de citações. Apenas algumas das tramas nojentas feitas nos trabalhos chegam aos shows de TV que lhe contam como funcionam as coisas e apenas algumas das minhas brilhantes idéias foram apreciadas por alguém! Em outras palavras, a competição para ser copiado é violenta.


Claro que os memes não são como os genes em muitos aspectos e nós devemos ter muito cuidado ao aplicar os termos da genética nos memes. A cópia dos memes é feita por um tipo de “engenharia reversa” por uma pessoa copiando o comportamento de outra, ao invés de por transcrição química. Nós também não sabemos como os memes são armazenados nos cérebros humanos e se eles irão ser digitalmente armazenados, como os genes, ou não. Entretanto, o ponto importante é que se os memes são realmente replicadores, a evolução memética deve ocorrer. Dennett está convencido que eles são e ele explora como os memes competem para entrarem em quantas mentes forem possíveis. Essa competição é a força seletiva da memosfera e os memes bem sucedidos criam a mente humana conforme seguem adiante, reestruturando nossos cérebros para fazê-los melhores abrigos para os memes. A consciência humana, afirma Dennett, é um grande complexo de memes, e uma pessoa é melhor entendida como um certo tipo de macaco infestado com memes. Se ele está certo então nós não podemos esperar entender as origens da mente humana sem a memética.


Complexos de memes incluem todos esses grupos de memes que tendem a serem passados adiante juntos, tal como as ideologias políticas, crenças religiosas, paradigmas e teorias científicas, movimentos artísticos, e linguagens. Os mais bem sucedidos entre eles não são apenas frouxas aglomerações de idéias compatíveis, mas grupos bem estruturados com memes diferentes especializados como anzóis, iscas, ameaças, e sistemas de imunidade.”



Richard Dawkins

4 Comments

  1. O QUE É MELHOR PESSOAL É QUE SEMANA QUE VEM TEM MAIS…
    BEIJINHO

    RITA

  2. Rita, não só gostei da aula como “vomitei” mais alguns memes intalados. Pegando o gancho do Gildo, pena que muitos não valorizam o gratuito e estão perdendo as aulas, mas como diz você, cada um tem o seu tempo.

    Bjs.

  3. Rita,

    A aula de ontem sobre memes não foi aula. Foi um SHOW!!!
    Parabéns a todos os que saborearam o banquete de ensinamentos….
    Quem não conhece ou participa… não sabe o que está perdendo e “vive de memes em memes”…

    Obrigado. Beijo. Gildo.

  4. Adorei a aula ontem, formaram vários ganchos.

    Bjs.

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