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Como nos disse Pierre Levy:

Somos, primeiro, responsáveis pelo que pensamos.

Mas responsabilidade implica liberdade.

Ora, nada mais difícil do que conquistar a liberdade de pensar, escapar do automatismo inconsciente das representações e das emoções.

É muito mais cômodo voltar-se para o “mundo externo” do que se tornar senhor de si, da própria experiência de vida, aqui e agora.

O pensamento automático ou o pensamento parasita, a que nos submetemos, impede-nos de viver no instante, perceber o momento e ser feliz. Não nos deixa viver nossa própria vida. Daí ser tão importante conquistar a liberdade de pensar!

O mais simples é o mais difícil.

Nossos objetos de aversão poderiam ser objetos de desejo e nossos objetos de desejo, objetos de aversão. E eles só existem em nosso mundo subjetivo porque lhes atribuímos importância. Mas essa importância poderia ser dada de outro modo. Ou melhor, nosso interesse poderia se dirigir por toda parte e sob todos os aspectos, de tal modo que os referidos objetos deixariam de se destacar do fundo de nossa experiência. Dito de outra forma, poderíamos ser desinteressados.

Cada um de nossos pensamentos, cada uma de nossas palavras e ações é governada por uma intenção.

Basta aprender a retomar o fio de nossos pensamentos para descobrirmos a intenção profunda que o inspirou.

As disposições da alma para o amor e para o sofrimento são fortemente condicionadas pelo que vemos e ouvimos ao nosso redor e,mais particularmente, pelo que sentimos das intenções dos outros a nosso respeito.

Quanto mais próximos os seres estão de nós, mais participam da modelagem de nossa alma e da trama de nossa vida. De modo similar, temos o dever de conhecer honestamente nossas intenções e nossos sentimentos, controlar nossas palavras e nossos atos,porque eles contribuem para tecer a alma dos outros, em especial daqueles que nos são próximos.

Se nossa alma está repleta da alma dos outros, decidir parar de sofrer também é decidir amar os outros.

Toda vez que suas intenções não forem puras, não diga nada, não faça nada.

Atenção! Reconheça rápido a natureza de suas intenções,porque o pensamento logo se transforma em caretas, palavras e atos irreversíveis!

Como escolher seus pensamentos?

Como distinguir os que são animados de compaixão, gentileza e amor dos que são comandados pelos venenos do espírito?

Como reconhecer suas próprias intenções?

Não escute, acima de tudo, o que diz o pensamento.

Esteja mais atento a seu ritmo, a sua melodia, a seu timbre, a seu acento.

Ele é rápido, violento, agudo?

É lento, pesado, ardente?

Frio, seco,insensível?

Assustado, agitado, disperso?

Meloso, maçante, irritante?

Ou se eleva livre, preciso, leve, alegre, pacífico?

Medite.

Escute sem parar.

Você quer pegar?

Quer dar?

Quer brilhar no mundo?

Quer guerra ou paz?

Dominar?

Vencer?

Tem vontade de bater?

Quer dar prazer?

Você se entretém com a preocupação dos outros?

Mire-se no espelho de suas intenções.

Cada elemento que compõe o cenário de nossas vidas, o conjunto daquilo que constitui o mundo humano — instituições, técnicas,obras do espírito —, tudo o que nos cerca materializa uma intenção.

Cada intenção, pensamento, palavra, cada ato humano se repercute ao infinito, vem e vai sem cessar e de formas diversas no seio de um imenso sistema de causas e efeitos que se estende em uma hierarquia insondável de mundos celestes e terrestres, passados, presentes e futuros.

São as intenções, antes mesmo dos pensamentos, as intenções mais secretas, mais ocultas, inconscientes e imperceptíveis que provocam o maior número de efeitos. As boas intenções desencadeiam um fluxo de amor no mundo, as outras provocam um aumento de sofrimento no ser humano. Daí ser tão importante atingir o conhecimento e o domínio de si.

Somos os únicos autores de tudo o que nos acontece.

Os acontecimentos de nossa vida, todas as facetas do mundo externo são projeções de nosso mundo interior.

Na verdade, há apenas um mundo, dentro e fora confundidos.

Produzimos continuamente esse mundo único, não somente interpretando nossas percepções e as situações nas quais estamos imersos, mas também de maneira muito mais efetiva, invocando nosso destino, fabricando continuamente as pessoas, os lugares, os acontecimentos.

Certamente não os provocamos consciente e deliberadamente, mas é nosso ser profundo que os faz emergir: são chamados pelo sussurro infinito de nossas intenções. os pensamentos são como sonhos.

Onde estão os pensamentos?

Onde estamos quando pensamos?

Observe como o jogo habitual dos pensamentos, quando dormimos, oscila imperceptivelmente na deriva onírica.

Ali vivemos a experiência direta de que sonhos e pensamentos são feitos do mesmo estofo de ilusão.

Os pensamentos têm quase a mesma natureza dos sonhos: são automáticos, encadeiam-se sem que de fato os controlemos e, em geral, não correspondem a nada de real.

Os pensamentos nos “tomam”, nos envolvem, exatamente como as imagens de um sonho.

São ainda mais fragmentados do que os sonhos noturnos porque são desencadeados e interrompidos por percepções sempre instáveis e mescladas ou superpostas a sensações efetivas. Freud diz que os sonhos são a expressão de nossos desejos.

Eu diria, invertendo a proposta, que nossos desejos têm a natureza dos sonhos.

Os pensamentos são como sonhos, simples, claros e normais em aparência (tanto que nos confundimos com eles), mas, na verdade,eles são incoerentes e enganosos.

Nossos discursos e os conceitos que eles carregam também são como sonhos… e nossas palavras só são ouvidas porque invadem os sonhos dos outros.

As coisas supostamente “reais” são constantemente definidas,categorizadas, imbuídas de valor, produzidas e reproduzidas pelos mecanismos inconscientes das associações mentais.

Tais como os percebemos, os objetos de desejo, aversão, ciúme, inveja, medo ou ressentimento são gerados pelo espírito.

Será que eles existem para um mosquito ou um boi?

Existiriam também para um ser humano de outra cultura ou com uma psicologia diferente da nossa?

Guardariam eles sua identidade sem nossos pensamentos?

Então,nossos pensamentos são como sonhos.

Embora nossos pensamentos sejam bem reais, é na ilusão que provamos desejos e rejeições, esperanças e medos. Será possível controlar o sonho que estamos tendo se simplesmente continuarmos sonhando?

Não temos que acordar?

Mas, então, não estamos correndo o risco de despertar de uma vida comum só para entrar num outro sonho, o sonho “espiritual”?

Não devemos apenas tomar consciência de que sonhamos sem tentar dominar o que for?

Se os pensamentos são como sonhos, então os medos são como pesadelos, dos quais podemos despertar.

No momento em que você tiver realmente se dado conta de que os pensamentos são como sonhos, toda sua vida anterior poderá aparecer nesse exato momento como um sonho de que você acabou de despertar.

beijinhos

Rita

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