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Incrível como conseguimos criar armadilhas de sofrimento.Temos um Universo de bençãos  a nos banhar e não conseguimos desfrutar.

Usarei uma metáfora para me fazer entender:

Ao comer um iogurte (realidade), digo a mim mesmo que “eles têm aquilo que eu não tenho” (pensamento). Sofro.

Não desfruto do iogurte, nem da luz do dia, nem da sorte de estar vivo. Sou prisioneiro de um pesadelo. Mas posso retomar o momento presente, me libertar do sonho, acordar.

Do mesmo modo, posso despertar de meus conceitos, de meus preconceitos, de minhas tendências habituais, do argumento geral de minha vida. Então, o “eu” não é senão uma cadeia de pensamentos, um modo especial de fabricar emoções e discursos internos, uma espécie de gerador particular de sonhos, provido de argumentos emocionais e discursivos.

O “eu” é um fabricante de ilusões, um mercador de sonhos.

A vigília nos extrai do entorpecimento e da fascinação do eu. É preciso despertar!

Abandonemos a prisão dos pensamentos. Observemos sem trégua sua natureza arbitrária, ilusória, enganosa.

Cada vida tem uma forma diferente, mas todas elas são um recorte da única e translúcida matéria dos sonhos.

Em vez de julgá-los ou aceitá-los, sinta a textura onírica dos pensamentos. Quando os pensamentos são clara e distintamente reconhecidos como sonhos no exato momento em que aparecem, impera a vivacidade das percepções. No lugar dos objetos ondula um campo imenso de percepções instáveis e variadas. Não são coisas, conceitos,julgamentos, tampouco eu ou meu corpo, mas uma onda ininterrupta e fremente de imagens, sons, sensações, sem um sujeito que sente nem qualidades sentidas. É o cintilar sem fim do plano da existência.

Construímos nossa vida perseguindo sonhos. Bolhas de sabão ao vento!

Tudo o que realizamos na ilusão torna mais sólida a prisão da ilusão.

Ter filhos com a pessoa errada, embrenhar-se numa atividade econômica de que será quase impossível se desvencilhar, envolver-se em jogos de poder na sociedade, tudo isso nos traz cada vez mais preocupações, paixões, compromissos de que temos cada vez menos chance de nos desfazer para nos despertar para a vida.

Todo ato realizado na confusão adensa a confusão.

O ódio de si dá a sensação de que o outro o odeia, pois projetamos nossos sentimentos e pensamentos no mundo.

A crença de que o outro o odeia provoca fatalmente o ódio no outro.

O outro, ao considerar que você o odeia, também irá odiá-lo, confirmando assim seus primeiros pensamentos e sustentando o ciclo. É assim que pensamentos odiosos, a começar pelo ódio de si, criam um mundo de ódio. Usamos constantemente os seres, os signos e as coisas que estão em nosso contato em proveito de nosso drama pessoal. Em vez de ver as situações e as pessoas tais como são, perdemos muito tempo tentando descobrir o que elas representam para nós.

O que está em jogo no mundo também está em nosso pensamento. Será que ainda temos chance de aprender alguma coisa?

A sabedoria consiste em parar de projetar, ficar efetivamente presente e aberto em vez de fabricar e refabricar continuamente o mundo que corresponde a nosso pensamento…, sofrendo assim suas conseqüências.

Estamos sempre projetando nosso drama pessoal no mundo, quando simplesmente poderíamos nos aproximar do espaço aberto tal como ele surge, a cada segundo. Em vez de pôr arduamente em cena o argumento que nos dirige à nossa revelia, poderíamos relaxar e ver o que acontece… Descobriríamos provavelmente que nada de horrível nem de assustador acontece, muito pelo contrário. Ao menos,descobriríamos algo.

O infeliz vive num mundo hostil, cheio de obstáculos.

É estrangeiro num mundo que o agride e o frustra.

O sábio, em compensação, tem a riqueza infinita de um mundo que lhe pertence.

O mundo o ama.

O mundo lhe devolve o amor que ele tem por si mesmo.

 A “neurose” de uma pessoa é sempre uma limitação de sua força.

Fabricamos para nós mesmos um mundo que nos impede de fruir e crescer.

Somos nós que criamos as circunstâncias e as pessoas que viram nossos obstáculos.

A viagem consiste em conquistar nossa própria força, nos tornar quem de fato somos, ocupar por fim o centro do mundo, viver num universo feito por nós, que acolha e abençoe nossa alegria… Quando nossos pensamentos deixam de produzir o universo particular da neurose, passamos a circular em todos os mundos, ficamos livres.

A maioria de nossos pensamentos assemelha-se a pesadelos: dolorosos e ilusórios.

Ora, os pensamentos, além disso, nos governam.

Os pesadelos tornam-se então “realidade”.

Como você vê o mundo?

Sabe o que precisa mudar para melhorá-lo?

Por sorte, a escolha entre ser prisioneiro dos pensamentos e vê-los pelo que são depende de nós. Mas para isso é preciso exercício, paciência , muita atenção e amorosidade.

beijinho

Rita

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