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Eu quis amar mas tive medo
E quis salvar meu coração
Mas o amor sabe um segredo
O medo pode matar o seu coração

(Agua de beber – Tom Jobim, Vinicius de Moraes)

 

Medo de fazer escolhas erradas, medo de não dar conta das próprias escolhas, medo de não conseguir pagar as contas, medo de morrer, medo de pessoas queridas morrerem,medo que nossos filhos fiquem doentes, medo de amar e não ser amada, medo que vc não leia esse texto até o fim,medo, medo, medo…

No entanto, esse medo constante que paira em nossas mentes, não passam de ideias de medo…Não impedem que continuemos tentando todos os dias fazer as escolhas certas,trabalhar e pagar as contas, de insistir para que nossos filhos se agasalhem e de acreditar , e muito, no amor!

A sociedade , através de suas instituições, geram grupos de controle. Pensa-se , deixar o ser humano sem regras,sem condicionamentos e sem ameaças, isso pode virar uma catástrofe. Quanto menos esclarecida ou espiritualizada for , uma consciência, mais sujeita as regras ela será. Mais condicionamentos e sujeições.

Agora, quanto mais se confia nas Leis Naturais, no ser Humano, mas tendemos a delegar a responsabilidade  individual. Ou seja, quanto menos confiamos, mais estabelecemos regras, controle, e penalidades. A religião é um bom exemplo: confia muito pouco no ser humano!

Aprender a superar nossos medos mentais, passa por um exercício diário, em persistir permanecer no AGORA. Resistir aos sequestros mentais para o passado ou para o planejamento e controle  do futuro.

Para encaminharmo-nos para uma trajetória de PROSPERIDADE  precisamos trabalhar a invasão de pensamentos de medo relacionados sempre a ideia predominante de falta!

Ativar  pensamentos que propiciem o nosso encontro com a essência espiritual de cada um de nós, resgata a possibilidade  da abundancia. Estar no amor, faz isso. Pois amor é expansão , inclusão.

Em seus momentos de maior angustia, procure refletir , tente responder a 3 questões que costumo trabalhar com meus pacientes geralmente em situações aflitivas, em que o medo os convida a perda de energia e instabilidade :

1- Qual é o seu medo?

(Observe a situação que o aflige, e questione o desdobramento das cenas que gera em sua mente, siga com elas, e localize, medo de que vc tem?)

2- Essa “possibilidade é real?

(daqui pode acontecer vários desdobramentos,desde a constatação que a ideia de medo que vc estava alimentando só existe verdadeiramente no campo da sua imaginação, ou que mesmo que seu medo tenha fundamento, o que criou em sua mente pode não ser nem a décima parte da realidade. Caso desdobre em consequências, conseguimos sempre encontrar uma maneira de enfrentamento. Nos deparamos nesse momento com nosso mundo de fantasias. Risco, é igual ao impacto do problema multiplicado pela probabilidade dele acontecer).

3- Quem você seria se não tivesse esse medo?

( Normalmente nos deparamos com uma pessoa interiormente mais leve, feliz, agradável, serena…Pois o padrão de ideias de medo que estava alimentando estava sequestrando seu sono, seu sorriso, suas energias nutritivas. Caso tenha conseguido responder, visualizando a imagem sobre vc, acabou de lembrar, por uma fração de segundos Quem vc é !

O Universo nos dá tudo que precisamos!

Desviar do caminho das preocupações, confiar em nossa capacidade de realização e superação , resgata a exuberância de entrega as Leis Naturais. Basta viver o momento presente, estando 100% em tudo que fazes. Foco.

Se ainda os pensamentos negativos te assombram depois de respondida as 3 questões anteriores, sugiro:

4- Qual a pior coisa que pode acontecer?

( Sim, o inconsciente esta cheio de sujeira,a fantasia negativa que criamos é maior que a realidade, principalmente, por sermos filhos da culpa e do pessimismo reinante nos tempos atuais. Partimos de um berço em que o modelo de crença em que “não somos merecedores de coisas boas” impera na sociedade, pois “as bençãos  não são muitas”, portanto , “não são para todos”. Muito frequentemente somos assolados por ideias do tipo: “esta bom demais para ser verdade”. Se por uma fração de segundos começar a dinamizar o conceito de que o Universo nos trata como nos tratamos, poderemos abraçar a ideia conjunta de que sempre haverá uma maneira inteligente de superação, e que tudo é bom!!!)

Nossa visão sobre nós mesmos esta apequenada, busque esse olhar para dentro…O medo esconde a grande oportunidade de acesso a versão 2015 de si mesmo.”

Procure pausas  em seu dia e conecte-se com o seu silencio e pratique algumas dessas ideias:

“Nesse silencio me encontro, e percebo o que sou. Se nesse momento identifico meus medos, quer dizer que eles não sou eu. Entrego portanto nesse instante a visão desses pensamentos de medo que estão me machucando, entrego esses medos, o apego, a identidade que carreguei sobre eles, e desfaço a crença de escassez. Entrego-me ao sentimento oceânico de fartura, grandiosidade e infinito. Em alegria, agradeço. Aceito esse sentimento em mim . Sou bom, pleno, nesse AGORA, que me sustenta.”

Medo é aquilo que te desumaniza

Mia Couto

Bom, nada mais inseguro do que um escritor numa conferência sobre segurança, um escritor que se sente um pouco solitário porque foi o único convidado nesta e na anterior edição. Preciso de um abrigo, preciso de um refúgio. É um texto que vou ler… o presidente tinha dito que eu devia falar espontaneamente. Não sou capaz em sete minutos.
Eu escrevi este texto que vou ler e chama-se Murar o Medo.

Murar o Medo

O medo foi um dos meus primeiros mestres. Antes de ganhar confiança em celestiais criaturas, aprendi a temer monstros, fantasmas e demônios. Os anjos, quando chegaram, já era para me guardarem. Os anjos atuavam como uma espécie de agentes de segurança privada das almas.

Nem sempre os que me protegiam sabiam da diferença entre sentimento e realidade. Isso acontecia, por exemplo, quando me ensinavam a recear os desconhecidos. Na realidade, a maior parte da violência contra as crianças sempre foi praticada, não por estranhos, mas por parentes e conhecidos. Os fantasmas que serviam na minha infância reproduziam esse velho engano de que estamos mais seguros em ambiente que reconhecemos.

Os meus anjos da guarda tinham a ingenuidade de acreditar que eu estaria mais protegido apenas por não me aventurar para além da fronteira da minha língua, da minha cultura e do meu território. O medo foi, afinal, o mestre que mais me fez desaprender. Quando deixei a minha casa natal, uma invisível mão roubava-me a coragem de viver e a audácia de ser eu mesmo. No horizonte, vislumbravam-se mais muros do que estradas.

Nessa altura algo me sugeria o seguinte: que há, neste mundo, mais medo de coisas más do que coisas más propriamente ditas.

No Moçambique colonial em que nasci e cresci, a narrativa do medo tinha um invejável casting internacional. Os chineses que comiam crianças, os chamados terroristas que lutavam pela independência e um ateu barbudo com um nome alemão. Esses fantasmas tiveram o fim de todos os fantasmas: morreram quando morreu o medo.

Os chineses abriram restaurantes à nossa porta, os ditos terroristas são hoje governantes respeitáveis e Carl Marx, o ateu barbudo, é um simpático avô que não deixou descendência. O preço dessa construção de terror foi, no entanto, trágico para o continente africano. Em nome da luta contra o comunismo, cometeram-se as mais indizíveis barbaridades.

Em nome da segurança mundial, foram colocados e conservados no poder alguns dos ditadores mais sanguinários de toda a história. A mais grave dessa longa herança de intervenção externa é a facilidade com que as elites africanas continuam a culpar os outros pelos seus próprios fracassos.

A Guerra Fria esfriou, mas o maniqueísmo que a sustinha não desarmou, inventando rapidamente outras geografias do medo: a Oriente e a Ocidente e, por que se trata de entidades demoníacas, não bastam os seculares meios de governação. Precisamos de intervenção com legitimidade divina.

O que era ideologia passou a ser crença. O que era política, tornou-se religião. O que era religião, passou a ser estratégia de poder.

Para fabricar armas, é preciso fabricar inimigos. Para produzir inimigos, é imperioso sustentar fantasmas.

A manutenção desse alvoroço requer um dispendioso aparato e um batalhão de especialistas que, em segredo, tomam decisões em nosso nome. Eis o que nos dizem: para superarmos as ameaças domésticas, precisamos de mais polícia, mais prisões, mais segurança privada e menos privacidade. Para enfrentarmos as ameaças globais, precisamos de mais exércitos, mais serviços secretos e a suspensão temporária da nossa cidadania.

Todos sabemos que o caminho verdadeiro tem que ser outro. Todos sabemos que esse outro caminho poderia começar, por exemplo, pelo desejo de conhecermos melhor esses que, de um e de outro lado, aprendemos a chamar de “eles”. Aos adversários políticos e militares juntam-se agora o clima, a demografia e as epidemias. O sentimento que se criou é o seguinte: a realidade é perigosa, a natureza é traiçoeira e a humanidade, imprevisível.

Vivemos como cidadãos, e como espécie, em permanente situação de emergência. Como em qualquer outro estado de sítio, as liberdades individuais devem ser contidas, a privacidade pode ser invadida e a racionalidade deve ser suspensa. Todas essas restrições servem para que não sejam feitas perguntas, como por exemplo, estas: por que motivo a crise financeira não atingiu a indústria do armamento? Por que motivo se gastou, apenas no ano passado, um trilhão e meio de dólares em armamento militar? Por que razão os que hoje tentam proteger os civis na Líbia são exatamente os que mais armas venderam ao regime do coronel Kadafi? Por que motivo se realizam mais seminários sobre segurança do que sobre justiça? Se queremos resolver e não apenas discutir a segurança mundial, teremos que enfrentar ameaças bem reais e urgentes.

Há uma arma de destruição massiva que está sendo usada todos os dias, em todo o mundo, sem que seja preciso o pretexto da guerra.

Essa arma chama-se fome.

Em pleno século XXI, um em cada seis seres humanos passa fome. O custo para superar a fome mundial seria uma fração muito pequena do que se gasta em armamento. A fome será, sem dúvida, a maior causa de insegurança do nosso tempo.

Mencionarei ainda uma outra silenciada violência: em todo o mundo, uma em cada três mulheres foi — ou será — vítima de violência física ou sexual durante o seu tempo de vida. É verdade que, sobre uma grande parte do nosso planeta, pesa uma condenação antecipada pelo fato simples de serem mulheres.

A nossa indignação, porém, é bem menor que o medo. Sem darmos conta, fomos convertidos em soldados de um exército sem nome e, como militares sem farda, deixamos de questionar. Deixamos de fazer perguntas e discutir razões. As questões de ética são esquecidas, porque está provada a barbaridade dos outros e, porque estamos em guerra, não temos que fazer prova de coerência, nem de ética nem de legalidade.

É sintomático que a única construção humana que pode ser vista do espaço seja uma muralha. A Grande Muralha foi erguida para proteger a China das guerras e das invasões. A Muralha não evitou conflitos nem parou os invasores. Possivelmente morreram mais chineses construindo a muralha do que vítimas das invasões que realmente aconteceram. Diz-se que alguns trabalhadores que morreram foram emparedados na sua própria construção.

Esses corpos convertidos em muro e pedra são uma metáfora do quanto o medo nos pode aprisionar.

Há muros que separam nações, há muros que dividem pobres e ricos, mas não há hoje, no mundo um muro, que separe os que têm medo dos que não têm medo. Sob as mesmas nuvens cinzentas vivemos todos nós, do sul e do norte, do ocidente e do oriente. Citarei Eduardo Galiano acerca disto, que é o medo global, e dizer:

“Os que trabalham têm medo de perder o trabalho; os que não trabalham têm medo de nunca encontrar trabalho; quando não têm medo da fome têm medo da comida; os civis têm medo dos militares; os militares têm medo da falta de armas e as armas têm medo da falta de guerras.

E, se calhar, acrescento agora eu: há quem tenha medo que o medo acabe.

Muito obrigado.

 

 

beijinho

Rita

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