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124 anos de Fernando
Que Pessoa…
Adorável pessoa…

Dor… na alma tantas vezes insuportavel, insustentavel, deveras sente o poeta que sustenta para sentir-e gente…amante , existente, importante de gente, de coisas, paisagens, trazendo de fora para dentro, sensações, sentimentos, até não mais caber em si, e explodir em palavras e jorrar em poesia.

Obrigada Fernando…

Para o homem vulgar, sentir é viver e pensar é saber viver. Para vc, pensar é viver e sentir não é mais que o alimento de pensar…

É dificil saber-se popular apenas depois da sua morte, ter vivido uma vida de exercício da contemplação , do exercicio desta intensidade emocional e apenas 5 anos após sua morte se ver lido no mundo…mas enfim, isso é coia que ninguém controla…

Mas usando uma fala sua Fernando…Quantas coisas, que temos por certas ou justas, não são mais que os vestígios dos nossos sonhos, o sonambulismo da nossa incompreensão!

Dizem que foste um homem místico, complexo caro fernando, que nossa querida cecilia Meireles levou tabua em um encontro contigo, jstamente porque vc dado a astrologia, em seu mapa astral, dizia não ser um bom dia para esse encontro…ora querido…coisa feia…deixou a nossa linda, sem conhece-lo…que pena!!!!

Mas eu também sou uma pessoa polemica…dizem que sou dada a intensidades, sou invocada, increnqueira, pois é…

Vale a pena ser discreto? Não sei bem se vale a pena. O melhor é estar quieto e ter a cara serena.

Trapos somos, trapos amamos, trapos agimos — Que trapo tudo que é este mundo!

A vida é feita de diversidades NÃO É?

E SER SUJEITO É ISSO…AUTENTICIDADE NA MULTIPLICIDADE…Personalidade supõe complexidade. Não há personalidade simples?

QUERIDO PESSOA, PARABÉNS!!!!!
beijo na alma

Rita

3 Comments

  1. Realmente, tudo é lindo em Pessoa. Um de seus poemas que mais gosto chama-se: “O mais é nada”, onde diz: “Se sentir saudades mate-as. Se perder um amor, não se perca! Se achar, segure-o. Circunde-se de rosas e ame. O mais, é nada” Obrigado Rita por encantar nossas Almas com tão belas colocações. Acho que até Carl Rogers admirava o Fernando pois seu melhor livro chama-se: “Tornar-se Pessoa” (rs). Essa “Pessoa” que vc sempre nos ensina a buscar em nós mesmos. Obrigado pelos ensinamentos.

  2. Era eu um poeta estimulado pela filosofia e não um filósofo com faculdades poéticas. Gostava de admirar a beleza das coisas, descobrir no imperceptível, através do diminuto, a alma poética do universo.
    A poesia da terra nunca morre. Podemos dizer que as eras passadas foram mais poéticas, mas não podemos dizer (…)

    A poesia encontra-se em todas as coisas – na terra e no mar, no lago e na margem do rio. Encontra-se também na cidade – não o neguemos – é evidente para mim, aqui, enquanto estou sentado, há poesia nesta mesa, neste papel, neste tinteiro; há poesia no barulho dos carros nas ruas, em cada movimento diminuto, comum, ridículo, de um operário, que do outro lado da rua está pintando a tabuleta de um açougue.

    Meu senso íntimo predomina de tal maneira sobre meus cinco sentidos que vejo coisas nesta vida – acredito-o – de modo diferente de outros homens. Há para mim – havia – um tesouro de significado numa coisa tão ridícula como uma chave, um prego na parede, os bigodes de um gato. Há para mim uma plenitude de sugestão espiritual em uma galinha com seus pintinhos, atravessando a rua, com ar pomposo. Há para mim um significado mais profundo do que as lágrimas humanas no aroma do sândalo, nas velhas latas num monturo, numa caixa de fósforos caída na sarjeta, em dois papéis sujos que, num dia de ventania, rolarão e se perseguirão rua abaixo. É que a poesia é espanto, admiração, como de um ser tombado dos céus, a tomar plena consciência de sua queda, atônito diante das coisas. Como de alguém que conhecesse a alma das coisas, e lutasse para recordar esse conhecimento, lembrando-se de que não era assim que as conhecia, não sob aquelas formas e aquelas condições, mas de nada mais se recordando.

    Fernando Pessoa em “O Eu Profundo”.
    1910?

  3. Quem quer que seja de algum modo um poeta sabe muito bem quão mais fácil é escrever um bom poema (se os bons poemas se acham ao alcance do homem) a respeito de uma mulher que lhe interessa muito do que a respeito de uma mulher pela qual está profundamente apaixonado. A melhor espécie de poema de amor é, em geral, escrita a respeito de uma mulher abstrata.
    Uma grande emoção é por demais egoísta; absorve em si própria todo o sangue do espírito, e a congestão deixa as mãos demasiado frias para escrever. Três espécies de emoções produzem grande poesia – emoções fortes e profundas ao serem lembradas muito tempo depois; e emoções falsas, isto é, emoções sentidas no intelecto. Não a insinceridade, mas sim, uma sinceridade traduzida, é a base de toda a arte.
    O grande general que pretende ganhar uma batalha para o império de seu país e para a história de seu povo não deseja – não pode desejar ter muitos de seus soldados assassinados (mortos). Contudo, uma vez que tenha penetrado na contemplação de sua estratégia, escolherá (sem um pensamento para seus homens) o golpe melhor, embora o faça perder cem mil homens, em vez da estratégia pior, ou mesmo a mais lenta, que lhe pode deixar nove décimos daqueles homens com quem e por quem luta, e a quem, em geral, ama. Torna-se um artista por amor a seus compatriotas, e expõe-nos à carnificina por causa de sua estratégia.

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