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“Eu acredito no mecanismo do infinito. O dia de amanhã cuidará do dia de amanhã e tudo chegará no tempo exato.”Caio Fernando de Abreu


Nessa quarta estivemos juntos estudando mais um capitulo do módulo “Saber cuidar: Ética do Humano” e abordamos a parte conceitual ainda do Cuidado sob o enfoque de vários autores e estudiosos, e conseguimos  concluir o tema, mas obvio não encerrar o assunto.

Foi muito bom poder presenciar o olhar atento de todos vcs  ao esforçarem-se em  trilhar a estrada do autoconhecimento. Realmente sermos pessoas melhores dói, mas vale a pena… com certeza a vida se torna mais leve!

Amar desinteressadamente essa é a meta desse mês. Estabelecer uma linha de raciocínio com vocês para que possamos juntos analisar o quanto ainda nos prendemos a relacionamentos que alimentam apenas as nossas dependências… dependências emocionais!


Segundo Heidegger o verdadeiro mundo não é o da ação ou o da contemplação; é o da presença.
Ora, esta engloba o sendo no seu conjunto como o existente humano.

Não se pode definir o homem em relação a ele mesmo: ele não é um sujeito isolado que, tomando-se como objeto de reflexão, operaria uma reflexão do mundo. Segundo Heidegger, esse importar-se-com (Fürsorge) é essencial para nosso modo de ser-com-outros, pois somos, existimos, graças ao outro (umwillen Anderer), não podemos existir sozinhos.

Toda relação é dinâmica. Relação é a capacidade de estar sempre dando novos laços (re-lação).

Muitas vezes, quando estamos nos relacionando afetivamente, parece que estes laços tornam-se nós difíceis de desatar.

É comum as pessoas se relacionarem a partir de suas próprias referências pessoais, expectativas e ideais. Porém, o laço vira nó, se este ponto de vista se transforma em uma forma rígida de relação, onde se espera que o outro corresponda a essas expectativas plenamente. É um equívoco esperar no outro a “cara metade” ou a “alma gêmea”, como se ao encontrá-la nos tornássemos completos, estáveis e seguros.

Geralmente quando uma relação afetiva não está indo bem, percebe-se um engano da pessoa em depositar no outro a responsabilidade de sua felicidade ou infelicidade. Isto ocorre porque não estamos acostumados a nos ver como seres únicos, sós e livres no mundo.

Muitas vezes, procuramos em nossas relações afetivas aplacar a angústia e o desconforto que é assumir a própria existência. E dói muito admitir isso. É mais fácil esperar alguém que nos tire dessa posição solitária e responsável, um alguém que pelo simples fato de nos amar atenderia nossas necessidades e nos completaria como num passe de mágica.

O outro quando me ajuda, faz do jeito dele. Não é do meu jeito. Portanto, não me satisfaz plenamente. Só encontro plena satisfação realizando as minhas coisas eu mesmo.

Se a pessoa se deixa encaixar no jeito do outro, então o laço vira nó, enrijece, perde a “folga” que deve existir na relação. Justamente a folga do laço, uma certa distância, que garante que cada um mantenha sua individualidade, reconheça-se e diferencie-se na relação.

Se esperamos união (nó) com o outro para o alívio da solidão, a relação poderá ser marcada por ciúmes, dependência ,exigências, controle, possessividade e perda das singularidades.

Uma das caracteristicas mais marcantes do laço, talvez seja a sua possibilidade constante de se desfazer. O nó não se desfaz tão facilmente quanto o laço. E por isso mesmo, se pensarmos a relação como laço, poderemos perceber que nos relacionamentos de pessoas autênticas e livres, este pode se soltar, não constitui uma ameaça, mas sim, em uma forma de compromisso verdadeiro.

 

Cuidar de alguém é prestar-lhe atenção solícita e ter uma disposição de afetividade.

Simone Weil, filósofa francesa que viveu de 1909 a 1943, afirmava que : “A atenção é um esforço que consiste em suspender o próprio pensamento, deixando-o neutro, vazio e pronto para receber o outro, como ele é, em toda sua verdade”.

Adoro estar com vcs aprendendo , discutindo e debatendo ideias como essas, por isso hj a noite estarei lá, para mais um encontro

 

até mais

Rita

 

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