“No primeiro dia em que subi no balancim, falei: ‘desce, desce’. Deu um frio na barriga… Deu… vertigem”, diz Pardal, ator do Teatro da Vertigem. O nome do grupo nunca foi tão preciso quanto no novo trabalho, “Kastelo”, que tem ensaios abertos desde sexta-feira (29) no Sesc Av. Paulista, com ingressos esgotados.

A estreia oficial, que seria na sexta, foi remarcada para quinta-feira (4), por conta do tempo instável. É que a peça acontece na parte externa do edifício. Os atores se deslocam em balancins e o público assiste de dentro do prédio. Em caso de chuva forte, a sessão será cancelada.

Esse “palco” suspenso não é surpresa. Desde a estreia, o grupo se apresenta em locais não convencionais, como o rio Tietê (“BR-3”).

“O Castelo”, de Kafka, serviu de inspiração para a dramaturgia, assinada por Sergio Pires e Evaldo Mocarzel, cujo mote é a rotina de uma corporação.

“Hoje, os castelos são envidraçados. Todos estão do lado de fora, pensando que estão inseridos. Mas você só vê o seu reflexo”, diz a diretora Eliana Monteiro.

Por conta da iluminação, os atores não enxergam a plateia, vendo apenas suas imagens refletidas. O isolamento acaba sendo mais cruel que a vertigem.

Local: Unidade Provisória Sesc Avenida Paulista – av. Paulista, 119, Bela Vista, região central, São Paulo, SP. Tel.: 0/xx/11/3179-3700. 80 lugares. Qui. a dom.: 21h. Estreia. 4/2. Até 14/3.

Ingr.: R$ 5 a R$ 20.

Estacionamento: (R$ 7 por quatro horas mais hora adicional, na r. Leôncio de Carvalho, 98 – convênio). Em caso de chuva, não haverá espetáculo.

MARCOS DÁVILA
do Guia da Folha

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