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Na ultima aula de quinta-feira discutimos alguns aspectos dos Evangelhos, e buscamos olhar para a Bíblia não como um livro histórico, pois se buscarmos linearidade em seu conteúdo estaremos tentando da mesma forma buscar conteúdo literário em bula de remédio. Visto dessa forma, fizemos citações de algumas bibliografias bastante interessantes que estaremos trazendo nos próximos posts. Assim acompanhemos a primeira sugestão:

Para o livro Um Ano Bíblico , best-seller que  alçou à fama, em 2007,A.J. Jacobs passou um ano cumprindo nada mais do que todos os mandamentos da Bíblia. A lista de obrigações incluia desde viver de acordo com os Dez Mandamentos até cumprir questões mais complicadas nos dias atuais, como não vestir roupas de fibras mistas e apedrejar adúlteros. Jacobs acabou por apedrejar um senhor de 70 anos que assumiu o adultério, atirou-lhe pedregulhos. O velhinho encarou o gesto com bom humor e ambos saíram ilesos do episódio

– Meu objetivo era entender por que pessoas inteligentes se deixam guiar por esse livro – diz Jacobs, por telefone, ao GLOBO.
– Não fosse pela barba, que cresceu obedecendo ao Levítico 19:24, 2007 foi o ano mais fascinante da minha vida.
Projeto quase acabou em divórcio
O fruto dessa imersão consiste num relato em forma de diário que leva o leitor às gargalhadas.
“A Bíblia não especifica o tamanho das pedras”, escreve Jacobs sobre o dia em que precisava apedrejar um pecador. “Então recolhi um punhado de pedrinhas brancas do Central Park, amontoei-as nos bolsos de trás da calça (…) e reparei num sujeito barrigudo que trabalhava na locadora de automóveis a um quarteirão de nossa casa (…), um violador do sábado!”
– Acho que sou o único ocidental vivo que já apedrejou um violador de sabá ( descanso sagrado) – diverte-se o jornalista. – E foi sensacional!
A empreitada em torno da Bíblia começou três anos depois de Jacobs – que nasceu numa família judia mas se dizia “tão judeu quanto o Pizza Hut é italiano” – devorar os 32 volumes da “Enciclopédia Britânica” e publicar seu primeiro livro, “The know-it-all” (“O sabe-tudo”, ainda sem edição em português).
– Para começar, li toda a Bíblia, listei mais de 700 mandamentos como eles aparecem escritos em diversas edições e me policiei para cumpri-los ao pé da letra. Minha mulher quase pediu o divórcio, mas reconheço que evoluí como ser humano. Aprendi a ser mais grato.
No dia em que adotou o mandamento da gratidão (sim, ele avançou pouco a pouco nas leis religiosas), Jacobs entrou num elevador e agradeceu o fato de a porta ter se aberto. Apertou o botão e agradeceu que o aparelho efetivamente lhe obedeceu.
– Fiquei muito compulsivo por um tempo – admite. – Mas isso me mostrou que centenas de coisas dão certo todos os dias, mas nós insistimos em nos ater às três que dão errado.
Ao longo do ano bíblico, Jacobs tentou levar fé à política americana. Exaltando a importância do perdão, enviou cartões a deputados e senadores dos Estados Unidos, pedindo que defendessem o perdão da dívida externa de países em desenvolvimento. Jacobs nunca recebeu resposta, mas se sentiu mais próximo de Deus ao defender uma causa complicada.

– Na Bíblia, há instruções claras sobre como confeccionar uma Arca de Noé – ele garante, no hall de curiosidades. – Ela tem 300 cúbitos ( medida usada na Antiguidade) de comprimento, 50 de largura e 30 de altura, teto e três andares de madeira de cipreste.
Mas Jacobs só construiu mesmo uma cabana – e o fez bem no meio da sala, seguindo a parte da Bíblia que prega que o fiel deve passar ao menos uma semana por ano numa cabana para lembrar o sofrimento dos hebreus no deserto do Egito.
O caso foi a gota d’água para uma discussão com a mulher.
– Julie já havia se chateado por eu ter jogado fora o terno italiano do casamento, mas um rabino especializado em identificar tecidos me disse que ele misturava lã com linho. O Levítico 19:19 proíbe o uso de “roupas com dois estofos”.
Para se manter imparcial, Jacobs montou um conselho de consultores – rabinos, padres e estudiosos -, entrevistou grupos como criacionistas, testemunhas de Jeová, amish e judeus heterodoxos, visitou museus e leu textos antigos em suas línguas originais (com a ajuda de um software de tradução, é claro) e hoje diz, orgulhoso, que agradou a todo mundo.

TRECHO 1: “Minha barba está crescendo de forma acelerada. Já estou começando a parecer um pouco desleixado, algo entre um hippie do Brooklyn e um desses caras que passa o dia todo ocioso numa loja de apostas em corridas de cavalos. O que está ótimo para mim. Estou gostando de não ter de fazer a barba. Posso estar gastando todo o meu tempo em tarefas bíblicas, mas ao menos não estou desperdiçando três minutos todas as manhãs em frente ao espelho.

Para o café da manhã, pego uma laranja na geladeira. Minha alimentação também será uma coisa complicada ao longo deste ano. A Bíblia proíbe muitas coisas: carne de porco, camarão, coelho, águia e gavião-pescador, dentre outras. Alimentos cítricos, porém, são permitidos.

Além do mais, as laranjas existem desde os tempos bíblicos – um de meus livros inclusive afirma que o fruto proibido do Jardim do Éden era uma laranja. Com certeza não era uma maçã, uma vez que não existiam maçãs no Oriente Médio dos tempos de Adão.

” TRECHO 2: “(…) A Bíblia não especifica o tamanho das pedras, portanto eu usaria pedrinhas minúsculas. Há alguns dias, recolhi um punhado de pedrinhas brancas do Central Park, que amontoei nos bolsos de trás das minhas calças. Agora, só me faltavam algumas vítimas. Decidi começar por violadores do sabá. Isso é muito fácil de se encontrar nesta cidade viciada em trabalho. Eu reparei que um sujeito barrigudo que trabalha na locadora de automóveis Avis a um quarteirão de nossa casa trabalhara tanto no sábado quanto no domingo. Assim, sob todos os aspectos, ele é um violador do sábado. Mas eis o problema: mesmo com pedrinhas minúsculas, é difícil demais apedrejar as pessoas. Meu plano era passar a pé pelo violador do sábado, aparentando indiferença, e então arremessar as pedrinhas de leve às suas costas. Mas depois de passar algumas vezes por ele sem fazer nada, percebi ser uma má ideia. Uma pedrinha arremessada, por menor que fosse, não passaria desapercebida. Eis o meu plano revisado: eu fingiria ser desajeitado e deixaria a pedrinha cair sobre o seu sapato. Assim fiz.”

TRECHO 3: “Não sentar em cadeiras impuras (usadas por mulheres menstruadas) representa um desafio bem maior. Cheguei em casa esta tarde e já estava para desabar sobre minha poltrona oficial de cor cinza, de um material que imita couro, e que fica em nossa sala de estar. – Eu não faria isso – disse Julie. – Por quê? – Está impura. Eu sentei nela. – Ela nem se dignou a levantar os olhos do episódio de Lost gravado em seu TiVo. Muito bem. Ótimo. Já entendi. Ela continua não gostando das leis sobre a impureza. Mudei para outra cadeira, a de plástico preto. – Sentei nessa também – disse Julie. – E nas que estão na cozinha. E na poltrona do escritório. Preparando-se para minha volta para casa, ela sentou em todas as cadeiras do apartamento, algo que me incomodou mas também me deixou impressionado. Parecia como na tradição bíblica das mulheres empreendedoras – assim como Judite, que seduziu o malvado general Holofernes apenas para decapitá-lo quando se encontrava bêbado. Por fim, sentei-me no banquinho de madeira do Jasper, com seus 15cm de altura, que ela esquecera, de onde digitei meus e-mails em meu notebook, com os joelhos quase encostados no queixo. No dia seguinte, faço uma busca na internet e descubro uma solução que custa trinta dólares para o problema da cadeira: um assento portátil. Trata-se de um bastão de alumínio que se desdobra num minibanco de três pernas. Ele é oferecido para os idosos, bem como aos “indivíduos que sofrem de asma, artrites, cirurgia na bacia ou na perna, fibromialgia, dores nas costas” e diversas outras indisposições.”

Boa leitura

RITA

5 Comments

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  3. CURIOSIDADE: “Um Ano Bíblico” foi vertido para 15 línguas. Indagado se ansiava por mais traduções, o autor respondeu: “Sim, mas não podia querer tanto, para evitar a cobiça”.
    Enfatizou ter doado 10% do lucro obtido com a primeira edição a uma instituição de caridade.

    Das seguintes, só 7%. “Dez era demais”, concluiu.

  4. De pronto, percebeu que “Não cobiçarás”, o décimo dos mandamentos, era quase impraticável em uma cidade consumista como Nova York, onde mora.Realiza esse momento?!

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