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12105712_1001282563225278_926165243988859526_nEu entendo a sua situação: um dia cansativo, mas ainda é cedo para se deitar.
A televisão fala sozinha, num canto, as coisas de sempre, ditas do mesmo jeito, e você procura algo que valha a pena no jornal do dia, que só deu tempo para ler agora. Algum ruído na casa do vizinho: alegria? dor? Não é problema seu. Qual problema é o seu, então? Por que algo te diz que as coisas não vão bem, embora tudo corra dentro da aparente “normalidade”?

Observe a poltrona à sua frente: para os objetos materiais, basta resistirem firme em seus lugares enquanto puderem, e a sua missão está cumprida. A planta no canto da sala: assimilar nutrientes da terra e do sol, gerar alimento… e está tudo perfeito. O cachorrinho que dorme aos seus pés: instintos atendidos, um pouco de afago dado e recebido, e a vida segue. Mas você… precisa de mais do que isso. Precisa compreender. Não exatamente os mistérios da radiação do universo, ou da propagação da luz (embora eles não estejam excluídos), pois, estes complexos mistérios, há quem trabalhe para entendê-los, e eles não respondem às suas perguntas imediatas. Mas há algo de uma natureza um pouco diferente, cujo entendimento corresponde a todos os homens, e não apenas a uma classe, e do qual você necessita agora: as razões da vida, da morte e daquele que contracena com ambas: você. Quem é, realmente, você? O que veio realizar no mundo? O que realizou, até agora? Por que, afinal de contas, deve deixar que o tempo simplesmente passe, sem te deixar nada senão velhice, sem te dar explicações sobre o sentido disso tudo? Por que cargas d’água o que ocorre com o vizinho, um ser humano tão parecido, em tudo, contigo, nada tem a ver com você? A glória ou a dor do outro: nada que se possa fazer a respeito, nada a compartilhar?

Sim, dá para esquecer tudo isso e ir dormir; amanhã é outro dia. Cumprir hoje, a inércia da poltrona, e amanhã, a busca do pão, como a planta e, por fim, a busca de algum afago, como o cão, e…”that’s it !” Vamos em frente. Frente? Na verdade, desta forma, não vamos a lugar nenhum, nunca. Ouse, pelo menos, imaginar algo diferente! Pense em como seria ir realmente “em frente”: romper as “paredes” que te separam dos demais: ir pela vida comprometendo-se em crescer para encontrar respostas para as dores próprias e alheias, buscando o caminho da realização humana (desbravando-o, se ele tiver se fechado por abandono), procurando notícias absolutamente novas dentro de si: quais são seus sonhos mais humanos, aqueles que te fazem sentir que a vida pode ser algo mais que sobreviver com o maior conforto possível? Se isto fosse verdade, por que é que exatamente o “desconforto” interno é o seu melhor conselheiro, hoje? Dialogar com os fatos diários e arriscar interpretá-los, entender suas mensagens; aprender daqueles que já se fizeram perguntas sobre a vida, e tentar aplicar as respostas que acharam. Expandir, experimentar o sabor da honra, da bondade sem segundas intenções, da liberdade que se sente ao vencer o egoísmo. Respirar, enfim… como ser humano: inalar luz, exalar luz!

Cansar, também, no final do dia, e buscar o “sono dos justos”, em seu travesseiro. E, é claro, agradecer a Deus, e também pedir, por que não? Já que estou mesmo dando palpites, se tiver que pedir algo a Deus, quer uma sugestão de um ótimo pedido? Peça um segundo de luz para todos.
Consciência nasce do contraste: se todos tiverem este segundo de luz, este “flash”, descobrirão que vivem na escuridão, e… quem sabe? Imagine sete bilhões de seres humanos com luz: a Terra seria, por um precioso segundo, mais brilhante que qualquer estrela!

Filósofos sempre são seres muito imaginativos. Gosto de imaginar que, talvez, meu momento de luz (e quem sabe o seu, também?), que quebrou minha inércia e me fez dar alguns passos em direção ao humano, pode ter sido resultado do pedido de alguém a Deus…

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